quinta-feira, 13 de março de 2008

Produção industrial - O salto para trás

Cláudia Pires, para a Reuters:
Produção industrial no país cresce em 11 regiões em janeiro-IBGE
Na comparação com o mês anterior, a maioria dos índices regionais da produção industrial ajustados sazonalmente apontaram expansão acima da média nacional, de 1,8 por cento: Paraná (6,5 por cento), Amazonas (5,7 por cento), São Paulo e Goiás (ambos com 3,4 por cento), Santa Catarina (3,3 por cento), Pernambuco (2,5 por cento), Rio de Janeiro (2,2 por cento) e Rio Grande do Sul (2,0 por cento). As outras regiões que tiveram expansão, mas abaixo da média nacional, foram Pará (1,7 por cento), Minas Gerais (1,3 por cento) e Bahia (0,4 por cento).

Algumas regiões, no entanto, apresentaram recuo: Ceará (-3,2 por cento), Espírito Santo (-2,7 por cento) e região Nordeste (-0,8 por cento).

Na comparação com janeiro de 2007, o crescimento da produção industrial na média nacional foi de 8,5 por cento. Todos as regiões pesquisadas, exceto o Ceará (-2,3 por cento), apresentaram expansão.

Blog do Wanfil
A expansão da indústria brasileira foi de 1,8% em 2007. É a chamada economia real, que gera empregos e renda. Mas no Nordeste, e especialmente no Ceará, a coisa muda de figura. Há retração na produção industrial.

A decisão de considerar a China uma economia de mercado, quando todos sabem que sua produção é subsidiada pelo governo (que ainda por cima controla o câmbio), foi um duro baque para a indústria têxtil, uma das principais do nosso Estado. Some-se a isso a queda no valor do dólar - fato que prejudica as exportações - e a falta de investimentos em infra-estrutura por parte dos governos federal e estadual - que torna a região menos atraente para investimentos - eis o resultado. Ficamos para trás.

Não adianta o governo Cid acusar problemas na metodologia do IBGE. Ela vale para todos os estados, e na comparação, o nosso desempenho caiu. A campanha de Cid acusava o governo Lúcio de andar em marcha lenta. Seria preciso mais velocidade, um "salto para frente". Algo deerrado aconteceu e creio que a responsabilidade não cabe somente ao atual governo. Se faltam rumo e ação no presente, também não se vislumbram políticas de médio prazo ou longo prazo herdadas do último governo. Sem contar a ausência absoluta de um projeto nacional de combate às desigualdades regionais. Devagar, o Ceará volta a viver de esmolas.

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