Amigos e leitores perguntam a respeito da última pesquisa de opinião sobre a popularidade do presidente Lula, que nunca esteve tão alta. Primeiramente é importante ressalvar que essa aferição diz respeito a um governo envolto em constantes escândalos éticos e de poucas realizações. A taxa de crescimento econômico do Brasil, efusivamente comemorada pelas autoridades, nos coloca em pé de igualdade para disputar com o... Haiti - o país mais miserável da América Latina.
Se tudo é tão medíocre, como explicar a aceitação do presidente? O jornalista Themístocles de Castro responde: "O governante que distribui dinheiro é popular nem que não queira."
É isso, simples assim. A doação de dinheiro supera qualquer argumento numa sociedade pouco educada e carente. Obviamente, isso um dia acabará, pois o crescimento vegetativo da população que recebe a esmola é maior do que o da parcela que paga a conta. Quando a armadilha estourar (aposto em 10 anos), Lula não será mais presidente. E o gestor que ficará com a missão de consertar as contas públicas ainda será criticado por ele.
Lições da história
Confiram trecho de um artigo de Esdras Paiva, publicado pela revista Veja. Apesar de ter sido escrito em 1999, o texto é atualíssimo para entendermos o presente.
Viciados em popularidade, os governantes são sempre tentados à demagogia econômica em troca do aplauso popular. João Goulart, derrubado no golpe de 64, tinha esse vício – e fazia concessões para todos os lados. Campos Salles, que presidiu o Brasil na virada do século, de 1898 a 1902, fez o contrário. Herdou um país aos pedaços, fez uma política austera e impopular, com recessão e aumento de impostos. Deixou o Palácio do Catete sob vaias – mas a história reconhece que seu sucessor, Rodrigues Alves, só pôde reurbanizar o Rio de Janeiro e construir o Teatro Municipal porque Campos Salles fez o dever de casa. "Não é incomum que um governo sólido e honesto seja impopular", afirma o cientista político Jarbas Medeiros, da Universidade Federal de Minas Gerais. Winston Churchill ergueu o triunfo da Inglaterra na II Guerra, mas, ao deixar o governo, só quem lhe dava atenção era o papagaio que lhe trepava pela cabeça. Hoje, está na galeria dos grandes estadistas do século.
1 comentários:
É, caro Wanderley, o galho quebra um dia. Creio que em menos de 10 anos, como você disse. Mas o que mais me preoucupa hoje é a repercussão da dita esmola e as consequencias no cotidiano da população mais jovem. A ampliação do bolsa família até os 17 anos traz consigo uma série de riscos, além de ser uma clara moeda eleitoral. E olha que a moda pega. Em Fortaleza, a população sofre com a lotação dos ônibus, com a falta de estrutura das vias, mas já se mostra "contente" com o programa social de peso da administração Luizianne: a redução da tarifa nos domingos (dia que normalmente as pessoas ficam em casa). Eiê!
Luís Gustavo
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