Abaixo, duas notícias sobre gastos sociais. Em seguida o comentário do Blog.
O Povo:
IPEA critica inversão de prioridades
Levantamento do IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] mostra que, entre 1995 e 2005, o Governo Federal reduziu o peso de seus investimentos sociais e aumentou o repasse de recursos para a área financeira. Os gastos com pagamento da dívida pública saltaram de 3,7% do PIB para 6,5%.
O Estado de São Paulo:
Bolsa-Família ajuda a reter alunos, diz governo
Os dados que mostram um aumento do abandono escolar em municípios com alto atendimento do Bolsa-Família, como mostrou o Estado em reportagem publicada ontem , são vistos pelo governo com reserva. Tanto representantes do Ministério do Desenvolvimento Social quanto do Ministério da Educação (MEC) acreditam que o programa ainda é responsável por levar as crianças até a escola. A evasão, afirmam, acontece justamente quando o programa deixa de atendê-las, aos 15 anos.
Blog do Wanfil
Em relação ao IPEA, os números apresentados são a prova inconteste de que a política econômica atual é a mesma do governo FHC. Se hoje o Brasil possui reservas que ultrapassam o valor da dívida externa, o que é bom, a dívida interna segue crescendo e consumindo recursos, o que é péssimo. Por isso os juros aqui são os maiores do mundo, pois o governo precisa captar dinheiro para honrar seus compromissos. Em outras palavras, a máquina gasta mais do que arrecada. Qual a solução? O remédio dos petistas tem sido é o mesmo dos tucanos, só que em doses mais altas: aumento de impostos. FHC ainda fez caixa com as privatizações, o que refreou o ímpeto arrecadatório de seu governo. A outra medida clássica é o corte de despesas. O governo Lula, no entanto, faz o contrário e aumentou os gastos, optando por economizar nos investimentos em infra-estrutura - daí que ninguém vê uma mísera obra concluída.
O Estadão toca no outro ponto da questão. Os gastos sociais são eficientes? São a solução para o Brasil? A resposta é não. Vejam lá. As pessoas ficaram dependentes das bolsas, sem porta de saída. As políticas compensatórias são paliativos, assim como o superávit primário. São remendos que não eliminam as causas do problema, que não substituem a necessidade das reformas tributária e fiscal. O sujeito vai à escola porque recebe uma bolsa. Se a grana cessar, ele sai para trabalhar. Isso não gera renda e não forma profissionais capacitados. Da mesma forma, os juros pagos para fechar as contas impedem investimentos. Além do mais, as bolsas apenas transferem renda da classe média, via impostos, para os mais pobres - isso ameniza por um tempo a miséria (o crescimento vegetativo é maior do que a arrecadação), mas não gera crescimento sustentável, pois a riqueza que circula continua a mesma.
O Brasil não precisa gastar mais com políticas sociais. Precisa gastar menos, só que com mais eficiência. A administração precisa cortar gastos, como em qualquer empresa ou órgão. Precisa de mais racionalismo e de menos discursos. Vivemos a ilusão de que os pobres dependem do Estado para viver, enquanto o correto é prepará-los para se tornarem independentes. Mas quem tem coragem de propor isso? Até os que pagam a conta dessa armadilha acreditam que o melhor é gastar mais.
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