domingo, 2 de março de 2008

Lula no Ceará: messianismo e exageros

O presidente Lula veio mais uma vez ao Ceará para anunciar novos amanhãs radiantes. Suas visitas, curiosamente, nunca são para inaugurações. É que para reforçar o mito do messias, do guia dos povos, basta prometer e jurar amor ao povo, espeicalmente se ninguém o cobra por resultados. Nos discursos e nas manchetes de jornal, não por acaso os verbos sempre miram o futuro: "investiremos mais", "verbas serão aplicadas", "obras irão mudar a realidade"... E das promessas realizadas nas visitas anteriores? Ninguém sabe, ninguém viu.

Durante a passagem de Lula, o governador Cid Gomes declarou que nunca um presidente fez tanto pelo Ceará. Onde estão as obras? Quanto foi investido? Ele não disse. Na ânsia de agradar o presidente, Cid costuma exagerar. Quando a CPMF foi extinta, o governador afirmou que o caos se intalaria no país, inclusive com a volta da inflação. Nada disso aconteceu. A prova é que a Receita Federal anunciou que a arrecadação em janeiro de 2008, mesmo sem o imposto, foi maior do que em 2007.

Por último, Lula defendeu a prefeita Luizianne das acusações e dos questionamentos feitos por seus adversários e pela Justiça. Sobre isso, reproduzo o comentário que fiz no post Antes só do que mal acompanhada.

Não é a primeira vez que Lula tenta usar o seu capital político para aliviar as suspeitas que recaem, vez por outra, nos seus companheiros. O presidente já garantiu que José Dirceu é inocente. Recentemente assegurou que a ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, a do cartão corporativo, mais do que inocente, é vítima. Quando estourou o caso de corrupção nos Correios, que deu origem ao escândalo do mensalão, Lula afirmou que daria um cheque em branco ao ex-deputado Roberto Jefferson. O presidente já defendeu a idoneidade de outros: Delúbio Soares, José Genuíno e José Guimarães, Aloísio Mercadante, Freud Godoy e Silvio Pereira. Cito os nomes de memória; a lista pode ser bem maior. Agora, Lula defende Luizianne Lins. Pelos nomes que fazem companhia à prefeita nessa lista, é o caso de pensar se o depoimento do presidente não funciona mesmo como uma espécie de agravante para suspeitas.

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