sexta-feira, 28 de março de 2008

Democracia é isso

Vocês viram no post abaixo sobre o debate na rádio O Povo. Para quem não pôde ouvir, aqui vai um brevíssimo resumo. Vale ressaltar que apesar das diferenças ideológicas entre os participantes, o debate foi muito agradável e respeitoso. Uma experiência aprazível e gratificante. Participaram do programa a escritora baiana Yara Falcon, que foi presa política durante a ditadura militar, e o General Torres de Melo, que na época era Major do Exército, e que hoje tem um importante trabalho social no Lar Torres de Melo.

Yara falou sobre os sonhos de um Brasil melhor que a esquerda alimentava e das truculências impostas pelos adversários: os militares. O General lembrou à escritora que era preciso reconhecer que houve excessos de ambos os lados, uma vez que os grupos armados da esquerda mataram, roubaram e torturaram, na tentativa de tomar o poder e criar uma ditadura stalinista no Brasil. A escritora, com muita elegância, reconheceu a distinção e disse que ela e seus amigos mais próximos eram idealistas sinceros e bem intencionados. Torres de Melo concordou e afirmou que ele, de igual forma, nunca se excedeu em suas atividades, e que por isso tem grandes amigos esquerdistas.

Quanto a mim, creio que minha intervenção mais importante foi a lembrança de que àquela época, nos idos dos anos 60 e 70, a população brasileira, inclusive a classe média, pouco se importava com esses eventos políticos. Bastava-lhe o "milagre econômico" que garantia a fartura do consumo desenfreado. Esse é um velho vício dos brasileiros. Emendei fazendo um alerta. Era preciso vigiar e democracia para não perdê-la novamente. Nesse sentido, disse que muito me preocupava, por exemplo, as críticas grosseiras e sistemáticas que o presidente Lula tem feito ao Judiciário e ao Legislativo. O povo, como na ditadura, parece não se importar com isso, pois vive num estado de euforia por contas das esmolas oficiais - as bolsas-dinheiro. Assim, a maior lição dos anos de chumbo, para uma democracia, é o respeito as instituições. Todos concordaram.

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