segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz ano novo e obrigado

Caríssimos,

O ano chega ao fim e um outro se inicia. É o movimento da vida que caminha inexoravelmente em busca de mais tempo para novas realizações. Simbolicamente, a virada do ano é a interseção exata em que o passado e o futuro se encontram magicamente, no breve instante de um brinde festivo, na contagem regressiva que antecipa o marco zero, na luz fugaz produzida pela queima dos fogos de artifício. E assim o futuro se transmuta em presente na festa do réveillon, enquanto o passado é deixado para trás na poeira do esquecimento.

Nessas ocasiões, o novo é celebrado como uma oportunidade para consertar o que deu errado ou para melhorar o que vai bem, enquanto o velho é descartado feito objeto sem valor e inútil, sem nada mais a oferecer. Ocorre que a cronologia dos acontecimentos não se faz de um hoje eterno, desprovido de ontem e totalmente virgem para o amanhã. Não somos o que aconteceu no ano X, ou o que deixou de acontecer no ano Y, muito menos o que pretendíamos para o ano Z. Somos a soma dos erros e dos acertos do passado, que atuam em contato com as ações do presente e a construção do futuro. Somos a síntese desse movimento incessante.

É bom que a esperança esteja entre os sentimentos que recepcionam o ano novo, pois indica uma vontade de melhorar. No entanto, a esperança não produzirá efeitos, se estiver dissociada das lembranças, boas e más. No ano passado cometemos enganos, recaímos em vícios, perdemos oportunidades, mas também mantivemos lealdades, construímos novas amizades, evitamos, com a experiência acumulada, erros antigos, sonhamos e trabalhamos e nos ajudamos. Nesse novo ano, para nos depurarmos, para que o mundo possa progredir, precisamos ter em mente que o ano que passou foi rico em lições.

Nessa passagem, quero agradecer à Deus, à minha esposa e minhas filhas, à minha família, aos meus amigos e colegas, aos que me lêem, e como o clima é de revisão fraterna, agradeço até aos desafetos que me testaram o caráter. Agradeço a todos os que construíram juntos o ano que se vai e que também haverão de edificar, nos próximos doze meses, novas alegrias e esperanças. Agradeço especialmente aos que acompanharam este blog, que durante o ano cresceu - foram 10.000 page views - e que se firmou como leitura de muitos formadores de opinião. Que 2008 possa ser um ano de sucesso para todos nós.

Obrigado a todos. Obrigado ano velho e FELIZ ANO NOVO.

Retrospectiva rápida

O ano de 2007 chega ao fim. O Blog do Wanfil também faz um resumo dos acontecimentos. No entanto, para não ficar cansativo, busco resumir o ano com a seleção de poucas passagens, mas que são capazes de sintetizar o espírito que o marcou.

O ano que acaba começou de ressaca, com a notícia de que os festejos de Natal e Ano Novo em 2006 causaram mortes violentas em demasia. Em seguida, o Carnaval e a Semana Santa também transcorreram sob o signo dos acidentes de trânsito, a maioria por conta da conjugação de imprudência com estradas ruins. Inflizmente isso deve se repetir em 2008.

Réveillon - No Ceará, o réveillon patrocinado pela Prefeitura de Fortaleza foi objeto de polêmica, com a acusação de superfaturamento. O caso ainda vai a julgamento.

Pan – O Brasil sediou os Jogos Panamericanos sem maiores incidentes. As vitórias brasileiras e as manchetes animaram o público. Na abertura, Lula foi estrondosamente vaiado. No encerramento, ele não compareceu como estava previsto. Atletas cubanos tentaram fugir da ditadura de Fidel, mas foram repatriados pelo governo brasileiro.

Violência - O medo é generalizado. A morte do menino João Hélio, arrastado por um carro nas ruas do Rio de Janeiro, chocou o país durante alguns dias e pôs em discussão a maioridade penal aos 18 anos. Depois, tudo voltou ao normal, com o velho discurso de que devemos proteger criminosos menores de idade. O argumento segundo o qual são as condições econômicas que determinam as ações de jovens criminosos, não passa de preconceito contra os pobres, disfarçado de progressismo. No Ceará, o Ronda do Quarteirão, promessa símbolo da campanha de Cid Gomes, começa a funcionar. Ainda não foi possível analisar seus resultados.

Siderúrgica - O presidente Lula veio ao Ceará em julho, e voltou a prometer a viabilização da siderúrgica no Estado - uma de suas promessas de campanha. Seus aliados, como sempre, comemoraram a previsão de investimentos. Na prática, a Petrobrás inviabilizou o negócio, com a decisão de não fornecer gás natural para o empreendimento. Os parceiros privados decidiram utilizar carvão como fonte energética, de forma a não precisar do governo. Numa cerimônia patética, o governador Cid foi a Brasília para ver o mesmo presidente Lula anunciar uma siderúrgica privada como se fosse obra do Planalto. Os aliados locais do presidente, como sempre, não reclamaram do tratamento dispensado ao Ceará.

Orçamento - Não obstante as promessas de investimentos, até setembro, segundo dados do Siaf divulgados pela imprensa, do total previsto para o Ceará, apenas 2% foram executados.

Impunidade - Renan Calheiros deixou a presidência do Senado mas não foi cassado por quebra de decoro parlamentar, frustrando a nação. No Ceará, o senador Inácio Arruda votou pela absolvição do colega.

CPMF - Pela primeira vez a oposição fez oposição e acabou com a CPMF, obrigando o governo a rever a qualidade dos seus gastos.

Natal - No Ceará, o Natal de 2007 foi o mais violento dos últimos 10 anos.

Réveillon - A Prefeitura de Fortaleza, em resposta as críticas e acusações do ano anterior, promove uma festa ainda maior. O Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas dos Municípios resolvem acompanhar os gastos e determinam correções no formato do evento e no edital de licitação.

Crescimento econômico - O IBGE e a ONU trabalham com um índice de 5% de crescimento do PIB brasileiro. O número enseja comemorações, mas no fundo, se comparado com outras economias, é o retrato da mediocridade. Juntando os países da América Latina e do Caribe, uma região pobre, ficamos apenas no décimo sétimo lugar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Descompasso

Crescimento econômico na América Latina e no Caribe:
- Economia brasileira fica em 17º lugar
- Brasil supera apenas Suriname, Guiana, Bolívia e Equador

Ontem o presidente Lula falou em cadeia nacional de televisão. Lamentou o fim da CPMF, alertando sobre as supostas dificuldades que poderão prejudicar o Sistema Único de Saúde (SUS), e comemorou o crescimento econômico, que compensará as perdas de receita, anunciando um preíodo de prosperidade, coisa e tal. É claro que não poderia ser diferente. Nunca um presidente confessaria que a taxa de crescimento atual é resultado de uma herança deixada pelo antecessor, somado a um ambiente internacional favorável. No que diz respeito a parte que lhe cabe, ou seja, manter esse crescimento compatível com o resto do mundo (ou pelo menos com os vizinhos), a coisa muda de figura, e o descompasso entre o discurso e a realidade emerge desconcertante.

Pois bem. Hoje o Blog do Josias de Souza, jornalista da Folha de São Paulo, mostra que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), entidade vinculada à ONU, divulgou um estudo sobre o desempenho econômico dos 34 países da América Latina e do Caribe. O Brasil ficou na 17ª colocação. O que obteve melhor desempenho foi o Panamá (9,5%), mais bem-posto no ranking do que a Argentina (8,6%), segunda colocada; e a Venezuela (8,5%), na terceira posição. O crescimento do PIB brasileiro ficará percentualmente acima apenas de Suriname (5%), Guiana (4,5%), Bolívia (4%) e Equador (2,7%).

Para ler a íntegra do documento da Cepal, em espanhol, clique aqui.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ciranda da fantasia 2

Vejam o vídeo no post abaixo. É uma propaganda que apresenta o Bolsa Família como solução para o marasmo econômico brasileiro. O programa funcionaria como uma espécie de corrente do bem, o pontapé de um círculo virtuoso. Dê dinheiro aos pobres que passarão a consumir mais de empresas que precisarão produzir mais, gerando empregos para alimentar a ciranda do crescimento. Tudo perfeito.

Ao assistí-lo, o cidadão simples deverá se perguntar: "Como ninguém pensou isso antes?" E depois concluirá que somente um líder que veio do povo é capaz de resolver as questões mais complicadas com o seu toque de simplicidade. O jornalista americano H. L. Mencken costumava dizer que para todo problema complexo, existe uma solução simples e... ineficaz. Ora, ora. Nos primórdios do capitalismo a idéia foi posta em prática. O resultado foi inflação alta, juros estratosféricos, desvalorização cambial, desabastecimento, e no final, quebradeira generalizada.

A ciranda marqueteira do vídeo, é claro, busca falar ao povo. Portanto, esses detalhes técnicos e históricos não contam. O importante é mostrar que as coisas estão nos trilhos, que marchamos inexoravelmente rumo ao desenvolvimento. Pessoas comuns são apresentadas como integrantes anônimas de um movimento. Núbia sustenta os filhos com o Bolsa Família. Núbia faz compras na mercearia do Douglas. Com o crescimento do seu pequeno negócio, Douglas aumenta as vendas de atacadistas como Marcelo. Para dar conta da demanda, Marcelo faz mais encomendas para o agricultor Luiz. Querem saber onde a fantasia da propaganda se desfaz? No Luiz. Sendo agricultor, pobre e de baixa renda, ele também recebe o Bolsa Família. E aí, com a grana no bolso, plantar pra quê, não é?

De certa forma, a estrutura narrativa da propaganda me fez lembrar de um poema de Carlos Drummond de Andrade, principalmente pelo final. As coisas parecem ter um sentido, mas bem observadas, não significam nada.

QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lilique não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


PS. Qualquer semelhança entre o título do poema e a realidade...

Ciranda da fantasia 1

Vejam o vídeo acima. Está sendo exibido na televisão durante os festejos de fim de ano. É a propaganda governamental dourando a realidade, um delírio que só funciona no mundoda fantasia. Tenta mostrar o Bolsa Família, um programa assistencialista sem saída, num instrumento de crescimento sustentável.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Balanço de Natal

Festas, compras, comida, bebida, acidentes, violência e mortes. E antes que me acusem o pessismo, adianto de que não falo de uma impressão generalista, falo de fatos consumados. Segundo a Agência Estado, o Natal de 2007 foi o mais violento dos últimos dez anos! A notíca foi publicada pelo o Povo. Confiram:

Ceará tem Natal com mais mortes dos últimos dez anos - De sexta-feira até esta terça foram anotadas 28 mortes violentas. Nas estradas cearenses aconteceram 87 acidentes com sete mortes. Somente o Instituto Médico Legal (IML) de Fortaleza recebeu 11 corpos de vítimas de homicídios na noite de Natal, a maioria à bala e à facada. Leia mais.

Blog do Wanfil
Qual o principal assunto nas reuniões natalinas? Jesus? A paz? O amor? Não. Foram os supostos arrastões no Centro de Fortaleza, que causaram pavor, tumulto e prejuízos. Digo supostos por conta da insistentes negativas das autoridades, inclusive o governador Cid Gomes. O fato é que o evento se deu na esteira de uma sensação de insegurança nunca vista. Todos andam com medo. E isso não há quem possa negar. O Natal mais violento dos últimos dez anos, infelizmente, somente reforça a constatação de que a violência não é uma mera suposição de pessoas suscetíveis ao noticiário. É muito antes, uma cruel realidade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Cartão de Natal

Cartão de Natal

João Cabral de Melo Neto
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Não basta a economia

No final do ano todos ficam mais sensíveis e otimistas, na esperança de que tudo melhore. Afinal, sempre há algo de bom para ser lembrado, que funcione como exemplo. Nesse época, as notícias tendem a buscar temas mais amenos e positivos. Mesmo assim, talvez pela tradição racionalista do Ocidente, o materialismo, representado pelas ciências econômicas, sobressai. Enquanto o crime e a impunidade crescem, e as mortes no trânsito e os escândalos de corrupção insistem em nos assombrar, é normal que especialistas de mercado apontem novos horizontes mais prósperos e revigorantes. As revistas semanais que chegam às bancas e os jornais desse domingo são exemplos disso. Em suma, 2008 será melhor porque haverá mais dinheiro. A questão é: isso basta?

Desde os anos 70 do século passado, quando a ditadura militar sufocava as liberdades políticas respaldada pelo milagre econômico, passando pela redemocratização até a nomeação de Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, quando a hiperinflação foi controlada por uma série de medidas que seriam as bases do Plano Real, a economia é o argumento final em qualquer debate político no Brasil. É o supremo critério de avaliação da realidade, deixando temas como a corrupção ou violência em segundo plano, como vimos nas últimas eleições presidenciais.

Diante das denúncias de negociatas, subornos, prevaricação etc, sempre aparece um número, uma estatística sobre a redução no preço do dólar, sobre a estabilidade da inflação, sobre o aumento das reservas cambiais e informações do gênero, para salvar a pele dos governantes. Tudo é perdoado, num eterno upgrade do "rouba mas faz", transformado num "rouba mas divide". Valores como amor, respeito, dignidade, coerência, honestidade, religião, Deus, trabalho, entre outros, não raro são qualificados de moralismo hipócrita, de sentimentalismo, de coisa de gente "caxias", quando na verdade formam o substrato espiritual que deveria nortear toda ação humana. Assim, sempre que você ler ou ouvir questões econômicas como argumentos políticos, em substituição aos valores morais, lembre que essa é a ponta do iceberg. Ela não pode ser ignorada, ela é importante, mas não representa a totalidade do mundo.

Sobre o assunto, transcrevo um trecho de um ótimo artigo assinado por Olavo de Carvalho:
"Não se avalia o curso das coisas num país só pela economia, muito menos por um de seus aspectos isolados. (...) Já cheguei à conclusão de que neste país os economistas vivem num mundo paralelo, feito só de números, sem gente nem ação humana dentro, sem conspirações nem espionagem, sem grupos ativistas, sem revoluções nem guerras, sem movimentos de massa, sem mitos culturais, sem nada do que compõe a trama substantiva da História. (...)

A economia é apenas a condensação quantitativa e temporária de milhões de decisões humanas nascidas de fatores psicológicos, culturais, religiosos, militares e políticos. Nada é mais instável, mais sujeito a mudanças súbitas, do que a economia, enquanto os outros fatores se movem muito mais lentamente, com mais peso, sendo por isso mais determinantes. Prever o curso das coisas com base na economia é prever o movimento das camadas geológicas com base na direção do vento. (...) Previsões efetivas, realistas, nascem de um complexo raciocínio interdisciplinar, auxiliado por uma espécie de sexto sentido que se pode aprender, mas não ensinar."

Obstinados no erro

Revista Veja que chega às bancas neste final de semana:
O homem certo no lugar certo
Há pouco mais de um ano, um grupo de petistas se envolveu numa trama para montar um falso dossiê com acusações contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra. A turma arrecadou quase 2 milhões de reais de origem até hoje ignorada e usou o dinheiro para comprar um conjunto de documentos fajutos de um conhecido estelionatário. A operação foi comandada pelos mais íntimos colaboradores do coordenador do comitê de reeleição do presidente Lula, o deputado Ricardo Berzoini. Na semana passada, Berzoini foi reeleito presidente do PT. Vai comandar o partido até o fim de 2009 e pilotar a máquina que cuidará da sucessão do presidente Lula. Uma máquina que nos últimos anos mostrou imensa destreza em associar política, corrupção e táticas de evasão. Candidato de Lula, Berzoini representa a continuidade no poder do ex-ministro José Dirceu – que comanda o partido há duas décadas e é o grande timoneiro dos mensaleiros, a organização criminosa que saqueava os cofres públicos para sustentar financeiramente aliados e subornar deputados de outros partidos.

Blog do Wanfil
Ao substituir José Geneuíno presidência nacional do PT, o agora ministro Tarso Genro falava em "refundação" do partido como medida de salvação. Era uma resposta aos escândalos que acabaram com o mito da pureza original que sigla cultivava em certos meios mais ingênuos. Para isso elegeram Ricardo Berzoini, o ex-ministro que operou a taxação dos servidores aposentados sem crise alguma de consciência (na oposição, o PT era contra). As façanhas desse senhor, mostradas acima, mostram bem o que é a refundação: TUDO MUDA PARA CONTINUAR COMO SEMPRE FOI.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Eleições do PT estadual: tudo muda para permanecer como sempre foi

Ilário Marques, prefeito de Quixadá, foi eleito como novo presidente estadual do Partido dos Trabalhadores. O candidato derrotado à reeleição, Joaquim Cartaxo, recorreu à Executiva Nacional da sigla para questionar o resultado, mas não obteve sucesso. A posse de Ilário está marcada para o dia 13 de janeiro.

Segundo a cobertura dos jornais e as declarações dos envolvidos, a vitória de Ilário indica uma mudança do PT em relação ao governo Cid. O partido agora assumiria uma postura mais independente, embora continue como parceira do governo estadual. Realmente, uma recomposição de forças foi operada internamente, com a perda de espaço do grupo liderado por Cartaxo e pelo deputado federal José Nobre Guimarães.

As disputas internas de poder no PT existem e são cuidadosamente estimuladas pelo comando em São Paulo e Brasília. Democrático? Nem tanto, pois tudo funciona até o limite do centralismo democrático leninista que também caracteriza a sigla. Na hora de reeleger o enrolado Berzoini como presidente nacional, os candidatos locais já sabiam qual o resultado que Lula desejava. Em muitas situações, essa variedade de alternativas e de conflitos pode ser últil para amoldar as ações do partido de acordo com as necessidades da hora. Sempre existe ou existirá uma corrente contra ou a favor de algo.

Outra característica do petismo é a vocação para o poder: o partido não aceita ser mero coadjuvante. Por isso não apoiou Itamar Franco após a queda de Collor. A aliança com Cid não é e nunca foi programática, é circunstancial. No Ceará, depois do desgaste do mensalão e dos dólares na cueca, o grupo de Guimarães não representa mais a possibilidade de poder. Caíram em descrédito e o PT, nas eleições internas, demonstrou ter entendido isso.

Já a prefeita Luizianne se move por instinto de autopreservação. Por isso não trabalhou por Cartaxo. Como ela sabe que Cid não é um companheiro de jornada, desconfia que o governador possa fazer corpo mole nas eleições municipais, em favor do projeto cirista. É como o pacto de não agressão Molotov-Ribbentrop, firmado entre Rússia e Alemanha na 2ª Guerra: todos sabem que vai haver traição. e que a qualquer momento o governador Ilário é, nesse caso, um providencial lembrete ao governador de que o PT pode causar problemas a Cid.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Desculpas informais não eliminam o "engajamento" de certos jornalistas

A propaganda política disseminada como pensamento livre e isento é a estratégia política mais bem sucedida da história do Brasil. Em vez de ações diretas e traumáticas - como as revoluções propostas por Marx e Lênin - hoje as transformações são operadas por meio de agentes auxiliares informais, principalmente nas escolas e nas redações dos jornais, como ensinava Gramsci. Dessa forma, a mensagem política ganha espaço de maneira difusa e camuflada, preparando o público para o discurso esquerdisa que, aos poucos, se tornou hegemônico na sociedade. Por isso todos se querem progressitas e ninguém se assume conservador, por entender, erradamente, que um é a encarcação do "bem", enquanto o outro é a personificação do "mal". Eventuais exageros, que poderiam lançar suspeitas sobre a estratégia, rapidamente são colocados na contas de "erros" fortuitos, como no caso abaixo.

Ontem comentei sobre uma manchete publicada pelo jornal O Povo, que dava conta de que a prefeita Luizianne Lins seria a quarta mais popular do país, com base numa pesquisa feita em apenas nove capitais. Tamanha foi distorção que nem mesmo um leitor casual ou um aluno de ginásio poderia ignorá-la, tomando-a por um lapso irrefletido ou por mera incompetência. No post Propaganda disfarçada (clique para ler), não digo que o jornal tomou partido por algum candidato ou político, falo sobre algo mais subjetivo e amplo, sobre uma forma voluntária de por interesses partidários acima dos compromissos profissionais. Falei mesmo foi sobre a “isenção engajada”, que é o mecanismo consciente pelo qual jornalistas, a maioria formada por professores também "engajados", repassam valores ideológicos e fazem propaganda partidária, como se fossem descrição dos fatos desprovidas de segundas e terceiras intenções. Notem bem: jornalistas e jornais podem ter suas preferências, desde que avisem os seus leitores, e que não confundam opinião com notícia, com o objetivo de ludbriá-los.

Não sei se os editores do O Povo tomaram providências mais enérgicas. Se o jornal fosse meu, mandaria o repórter que escreveu a manchete ir trabalhar como assessor político da Prefeitura. O caso, de tão evidente, colocou em risco o compromisso editorial do jornal, que se viu obrigado a publicar uma breve explicação, escrita, aparentemente, meio contra a gosto (na hora de reconhecer os erros, jornalistas gostam de falar em autoritarismo da direção):

Prefeita é a quarta em avaliação - Ao contrário do que foi publicado na edição de ontem, Luizianne Lins (PT) não é a quarta prefeita mais popular do País, mas a quarta mais bem avaliada entre os prefeitos das nove capitais em que o Instituto Datafolha realizou sua pesquisa, divulgada na última segunda-feira. Leia mais.

Alegria de pobre dura pouco

Checar os fatos. Essa é a regra número um do jornalismo. Mas sabem como é, com tanta correria, tanta competição e notícias em profusão, tudo o que sai chancelado por alguma instituição famosa termina virando uma verdade instantânea. Não raro, as informações, lidas às pressas, terminam por distorcer a verdade. Jornais de todo o país estamparam como certa a informação de que o Brasil é a sexta economia do mundo, ao lado de potências como Inglaterra e França, e à frente de países como Finlândia e Suécia. Aqui mesmo neste blog a notícia foi reproduzida (veja abaixo), embora o comentário tenha alertado para a necessidade de alguma desconfiança para tanta pujança, caso contrário, seria razoável supor que europeus fugiriam da estabilidade sem graça no frio continente, para buscar sol, calor e prosperidade por aqui.

Bom, a festa durou pouco. O jornalista Reinaldo Azevedo e editor de economia da Revista Veja, Giuliano Guandalini, mostraram uma forma diferente de ler os dados do Bird:

O tamanho do Brasil: país está em 10º lugar no ranking do PIB, não em 6º. E caiu uma posição -
De acordo com o Bird, levando-se em conta a paridade do poder de compra, o chamado PPP, o Brasil responde por metade da economia da América do Sul, com o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto. Estaríamos no mesmo patamar de Reino Unido, França, Rússia e Italia.

O Banco Mundial resolveu empregar um critério de arredondamento — mesmo para a medição do PIB PPP, que é mais generoso com os países emergentes — que se usava antigamente nas escolas quando as notas eram dadas por números. Tudo o que estiver abaixo de meio ponto, eles arredondam para baixo; o que estiver acima, para cima.

A tabela, lida sem os arrendondamentos é a seguinte:
Brasil: 2,88%; Reino Unido: 3,46%; França: 3,39%; Rússia: 3,09%; Itália: 2,96%. DE FATO, O BRASIL ESTÁ EM 10º LUGAR. Mas isso não é tudo: caiu uma posição.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Cuidado com os europeus!

Folha Online:
Brasil sobe uma posição e ocupa 6º lugar na economia mundial, diz Bird - O Brasil ganhou uma posição e agora ocupa o sexto lugar na economia mundial, segundo ranking do Banco Mundial, que divulgou nesta terça-feira os dados do PCI (Programa de Comparação Internacional), que analisa as economias de 146 países. Segundo explicação do Banco Mundial, o Brasil subiu de lugar por conta de uma nova avaliação. A paridade do poder de compra, expressa por meio dos valores das moedas locais e o que é possível comprar, tomou o lugar da chamada medida cambial, que apenas converte o PIB do país em dólares.

Confira o ranking do Banco Mundial segundo a capacidade de compra
1. Estados Unidos
2. China
3. Japão
4. Alemanha
5. Índia
6. Brasil, Reino Unido, França, Rússia e Itália
7. Espanha e México

Blog do Wanfil
Não sou economista, mas é preciso fazer algumas considerações antes de soltar rojões triunfantes. Essa "capacidade de compra" pode ser lida como "capacidade de endividamento" - algo facilitado pela oferta de crédito abundante, afinal, não temos tradição em poupança e a política econômica é a mesma há uns 15 anos. Assim, é grande a chance de que, no caso de uma abalo na economia mundial, possamos vir a ter um grande percentual de inadimplência - gente com a renda do mês comprometida com prestações (carros são vendidos em 99 meses), pega de surpresa com repiques inflacionários, ou demissão, por exemplo. Nesse caso, as circunstâncias que nos empurram podem virar uma armadilha.

Tudo bem, em economia, as projeções sempre manifestam desejos ou medos. Mas uma coisa não podemos negar. É muito estranho o Brasil ficar à frente da Finlândia, da Espanha, Holanda, Bélgica, e de tantos outros países famosos pela condição de vida. Estamos ganhando da Suécia, o país com a maior expectativa de vida do mundo!

Começo a temer uma invasão de pobres europeus em busca de "capacidade de compra" no Brasil, roubando nossos empregos e produtos.

Propaganda disfarçada

O Datafolha apresentou uma pesquisa feita em nove capitais. Vejam a manchete que o jornal O Povo deu:

Luizianne é a quarta prefeita mais popular do País

Se isso não for petismo disfarçado de jornalismo, não sei mais o que é. Somente uma cabecinha treinada nas artes daquilo o que eu chamo de “isenção engajada”, pode ser capaz de cunhar uma manchete tão distorcida: “Luizianne é a quarta prefeita mais popular do País”. Um exame lógico pueril e intuitivo já basta para denunciar a propaganda mal disfarçada, pois a base para o título foi uma pesquisa limitada a nove cidades, num universo de mais de cinco mil municípios ou 27 capitais. A tentativa de projetar um recorte pontual sobre um espaço irreal só pode ter nascido do desejo de criar uma notícia positiva.

A pesquisa revela outros dados, como a rejeição dos prefeitos das cidades pesquisadas. Luizianne é reprovada por 36% do eleitorado de Fortaleza, o segundo maior índice. Se as informações colhidas agora forem cruzadas com a pesquisa sobre as eleições do ano que vem, feita também pelo Datafolha, quando Moroni apareceu bem distante da prefeita (29 a 19%), aí a coisa complica para o projeto de reeleição de Luizianne.

Execução orçamentária no Ceará desmente aliados do Planalto

Site da Assembléia Legislativa do Ceará:
Lula Morais critica não aprovação da prorrogação da CPMF
O deputado Lula Morais (PCdoB) foi à tribuna da Assembléia Legislativa na manhã desta terça-feira (18/12) para criticar a não aprovação da prorrogação da CPMF. De acordo com o parlamentar, essa era uma contribuição importante e democrática que distribuiu renda no País. “Uma quantia de R$ 40 bilhões deixou de estar no Orçamento da União. A prorrogação era uma unanimidade entre os governadores. Eles solicitaram a seus senadores que votassem favoravelmente à CPMF”, disse ele. O deputado criticou ainda, especificamente, o voto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que, para ele, teve uma conseqüência negativa para o Ceará, “principalmente porque ele sempre se arvora de ter trazido recursos para o nosso Estado. Agora seu voto trouxe conseqüências negativas, porque retirou de nós R$ 500 milhões por ano”, condenou.
Leia mais.

Blog do Wanfil
Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo. E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. (Marcos 5:8-9)

Lula Morais é do PCdoB, partido da base de sustentação de seu xará Lula da Silva. Lula Morais não é um homem apenas, mas uma legião. A rigor, o deputado representa um projeto de poder liderado no Brasil pelo Partido dos Trabalhadores, baseado nas teses de um esquerdismo ultrapassado no resto do mundo, mas forte na América Latina. Seu discurso de hoje é apenas a retransmissão local de um sinal nacional: enquanto Lula fala aos mercados como um democrata moderado e sem ressentimentos, seus aliados em todo o país - nas casas legislativas, nos executivos estaduais e municipais, na imprensa e nas escolas - espalham que o fim da CPMF foi uma ação das oposições contra o povo.

Lula Morais afirmou ainda que recursos vultosos e imprescindíveis deixarão de ser aplicados no Ceará por conta do voto de Tasso Jereissati, numa tentativa de se livrar das cobranças que recaem sobre o Executivo a que serve. Embora careça de lógica e de fatos que o corroborem, o discurso que o comunista reproduz revela intenções políticas bem visíveis: 1) transformar a derrota do governo numa derrota das oposições; 2) justificar a falta de investimentos no estado, como se o fim da CPMF fosse retroativo a 2002; 3) transferir o ônus dessa falta de investimentos para o senador Tasso Jereissati, identificado pelo eleitorado como um gestor eficiente; 4) insinuar que não há legitimidade nas decisões que contrariam o governo no legislativo; 5) fortalecer a simbologia exsitente no discurso da luta de classes: eles, poderosos, contra nós, que somos perseguidos.

A estratégia vai funcionar? Bem, no caso do mensalão funcionou. Não é por acaso que o petismo é a maior força política que já existiu na história do país, controlando sindicatos, fundos de pensão, governos, partidos políticos etc. Se a oposição não souber denunciar o truque, se não buscar os meios de comunicação, a versão de que os males do país nasceram com o fim da CPMF pode colar em alguns setores.

Sobre as previsões de que investimentos deixarão de ser feitos por conta do dinheiro que faltará, publico abaixo trecho de um texto assinado pelo jornalista Fábio Campos, em 05 de setembro passado: "A manchete de capa da edição de anteontem do O POVO mostrou que, a quatro meses de acabar o ano, Lula investiu apenas 2% do Orçamento 2007 que cabe ao Ceará. Faltam 98%. Uma tapa em nossa cara. Os investimentos do Palácio do Planalto no Ceará são inversamente proporcionais à votação que o presidente Lula recebeu dos cearenses em 2002 e 2006." - Leia mais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Conflito de interesses inviabiliza articulação pelo Ceará

Por Wânia Caldas, no O Povo:
Divergências políticas atrapalham o Ceará, diz Machado
O desenvolvimento do Ceará depende de articulações políticas e de investimento em tecnologia e infra-estrutura. A opinião é do presidente da Transpetro, Sérgio Machado

O Ceará precisa unir forças políticas, mesmo que antagônicas, para não perder a oportunidade de desenvolver-se nos próximos anos. A afirmação é do presidente da Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), Sérgio Machado. (...) O problema, segundo ele, é que o Ceará tem políticos fortes, mas as divergências ainda comprometem os interesses do Estado. "Temos todos que fazer parte do Partido do Ceará". - Leia mais.

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Eis o ponto sobre o qual nossos políticos evitam falar. Alguns preferem culpar a ausência de investimentos no Ceará criticando o fim da CPMF, como se o imposto fosse uma solução nova e milagrosa, e não um recurso antigo, que nem mesmo possui previsão de repasse aos estados. Machado chama a atenção, indiretamente, para outro fato: como não existe uma política nacional de combate às desigualdades regionais, ganha quem for mais articulado politicamente. Infelizmente, não é o nosso caso.

E não adianta cobrar a oposição, não. Durante os governos tucanos no Ceará, quando FHC era presidente, havia articulação que gerava resultados. Políticos do circuito local, como Beni Veras, Ciro Gomes e Bismarck Maia, ganharam projeção nacional, assumindo ministérios e direções partidárias. Hoje, o governo estadual é aliado de Lula, mas Sérgio Machado, um político da terra que ocupa um cargo visado na administração federal, acusa a falta de força política do Ceará. Essa realidade contrasta duramente com promessas recentes. Nas últimas eleições, Cid Gomes e Inácio Arruda não perdiam a oportunidade de alardearem a conveniência frutífera que seria a vitória dos aliados do presidente Lula. Quantos eleitores acreditaram nisso.

O problema é que não existe, no Ceará, atualmente, um projeto administrativo bem delineado, com metas claras e focos estabelecidos. Politicamente, existe apenas a reunião de projetos paralelos: de um lado os ciristas, de olho na candidatura presidencial de Ciro Gomes; do outro, os petistas, que pegaram carona na candidatura Cid por falta de força própria (o caso mensalão fragilizou a sigla), mas que no fundo não aceitam o papel de coadjuvantes. São aliados circunstanciais que convivem a espera da traição mútua. Aí os interesses do estado ficam em segundo plano. Sérgio Machado tem razão.

Melhor ficar calado

Do portal G1:
Guido Mantega nega ter sido repreendido por Lula
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta segunda-feira (17), em entrevista em Montevidéu, onde participa de uma reunião do Mercosul, a notícia de que tenha sido repreendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter defendido a criação de um novo imposto por meio de medida provisória (MP). "O presidente não me fez nenhuma reprovação. Isso foi interpretação dos jornais", disse o ministro. Leia mais.

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Guido Mantega virou ministro mais pela ficha limpa do que pela habilidade política ou conhecimento econômico. Sua função é ficar calado enquanto Henrique Meireles toca o Banco Central. Mas às vezes ele se esquece disso e fala, fala, fala, até levar um pito do chefe. Depois diz que a culpa é da imprensa.

Em homenagem à incontinência verbal do ministro, uma frase de Abraham Lincoln:
“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você talvez seja tolo do que falar e acabar com a dúvida.”

"O mundo não acabou", afirma Lula

Matéria de capa do jornal O Povo:
Lula nega novo imposto e desautoriza Mantega
Ministro da Fazenda admitiu, em entrevista publicada ontem, que o governo pode recorrer à criação de um novo tributo para compensar as perdas com a CPMF. Lula, porém, diz que aumentar a carga tributária seria "uma loucura"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o ministro Guido Mantega (Fazenda) terá que convencê-lo da necessidade da criação de um novo tributo para compensar a perda na arrecadação com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Lula contestou Mantega e disse que não serão feitos cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e em programas sociais, como havia declarado o ministro em entrevista ao à imprensa.
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O governador Cid Gomes pode ficar mais calmo agora, uma vez que o presidente Lula garante que o PAC não sofrerá cortes. Nem os programas sociais. Assim, sem prejuízos para os investimentos governamentais, o negócio é o governo a reavaliar seus gastos e eliminar a gastança improdutiva.

Lula afirmou que depois que a relação entre o governo e o Senado "vai ficar a mesma", e que é necessária "independência e harmonia" entre os poderes. Depois ele voltou ao normal e disse que os senadores que votaram contra a prorrogação da CPMF não querem que o governo dê certo ou acreditam na teoria "do quanto pior melhor".

Sobre as declarações do ministro e de seu chefe Lula, o comentário de Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil de Hoje foi perfeito. Confira abaixo, em azul:
No “day after”, o ministro teve que mostrar que a ameaça era apenas para pressionar os senadores - e não funcionou. Agora, é preciso mostrar que o equilíbrio fiscal não vai despencar e que se pode continuar confiando. No passo seguinte, o ministro fala em criar imposto e cortar investimento - e traz outra ameaça.

E aparece o salvador, o presidente Lula, a desautorizar o ministro e a afirmar que o governo tem que achar outros caminhos que não o simples aumentar imposto e cortar investimento. Cada um cumpre o seu papel: o ministro da fazenda é sempre o algoz e o presidente, sempre o autor das soluções.

Como (...) investimentos nem têm margem para corte, o presidente pode ter que contrariar suas convicções e cortar a gula de gerar empregos, em que o setor público é campeão: mais de 400 mil, nos últimos dois anos. Onde faltar recurso, o governo já sabe que o que aplicou em rodovias e geração de energia dá certo: é privatizar, para garantir o investimento. Aí, o governo pode até descobrir que a queda da CPMF pode servir para deixá-lo enxuto e azeitado. Leia mais.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Charge

Charge do Amarildo, no Correio do Povo (RS)

Brasil, sil, sil, sil....

Site da Veja:
Mundo não vê Brasil como uma potência
Uma pesquisa realizada pela Fundação Bertelsmann, uma das mais respeitadas da Alemanha, revela como o papel do Brasil no cenário mundial é visto de maneira diferente por brasileiros e por estrangeiros. Entre os brasileiros, 13% dos entrevistados disseram acreditar que o país já é uma potência mundial; cerca de 30% apostam que a nação alcançará tal estágio em 2020. Entre os estrangeiros, porém, essa expectativa cai: 5% vêem o Brasil como potência e 11% acham que ele o será até 2020.

O levantamento foi feito com cidadãos dos Estados Unidos, Europa, Japão e de quatro economias emergentes: China, Brasil, Índia e Rússia – o famoso grupo conhecido pela sigla “Bric”. No total, 9.000 pessoas foram entrevistadas, das quais 1.500 no Brasil.

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François VI, o conde de La Rochefocault, dizia que nós nos julgamos pelo que acreditamos ser capazes de fazer, mas que somos julgados pelo que já fizemos. Penso que o mesmo vale para as nações. O Brasil de hoje, o que não desiste nunca das propagandas oficiais, revive uma reedição moderada do ufanismo que reinou no país durante o milagre econômico dos anos 70, a época do "ame-o ou deixe-o". A diferença é que não experimentamos milagre algum na atualidade. E é isso o que mostra a pesquisa acima.

O Brasil é uma espécie de Ferroviário no palco das nações. Todos simpatizam com ele. Ambos não incomodam e hostilizam ninguém. Nunca são campeões no que realmente interessa. Muito do que as pessoas pensam sobre o Brasil é fruto de propaganda política vitaminada por uma imprensa colaboracionista. O bio-combustível não vai substituir o petróleo e mudar o mundo a curto prazo (se acontecer, as nações que investem bilhoes de dólares em pesquisa e educação tomarão a frente do negócio); o Fome Zero Mundial que Lula propôs, com a pitoresca sugestão de tributar o comércio de armas, não passa de conversa fiada; o clube dos países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil, Índia e China não vai andar, pois ìndia e China não precisam de nós; e a revolução política que a esquerda latino-americana promove sob a liderança de Cháves e Lula não resiste a uma "cala a boca" europeu. Não quero parecer chato, mas se não tivermos os pés no chão, vamos viver eternamente como Policápio Quaresma: ufanistas e tolos, vivendo de glórias falsas, enquanto os problemas reais crescem diante de todos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cid afirma que, com o fim da CPMF, vai faltar o que nunca houve - obras no Ceará

O Povo:
Cid diz que oposição foi "inconseqüente" - O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), diz temer sobre o futuro do País e aponta a possibilidade de "retrocesso" no investimento em algumas áreas. No Ceará, ficam sob ameaça com o novo quadro investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em obras -
Leia mais.

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E a gora? O Ceará ficará sem as formidáveis e incríveis obras anunciadas para o futuro? Por conta disso estaremos condenados? Mas, passados cinco anos de governo Lula e um de Cid, irrigados pela fartura da CPMF, onde estão as obras erguidas? Em lugar nenhum. Aliás, qual a execução orçamentária deste ano no Estado? O governador deveria dizer que se o Planalto cortar o que prometeu gastar no Ceará, isso não será novidade alguma. Onde estão o metrô, a refinaria, a siderúrgica e as estradas? Não faltava ao governo a miraculosa CPMF...

A CPMF que jorrava nos cofres federais não fará falta ao Ceará. O que nos falta é peso político, é uma bancada atuante e organizada. Cid tenta compensar essa fragilidade mostrando solidariedade ao discurso do Planalto. Mostrar tanta solicitude a quem nos ignora é pedir para ser desprezado.

Opositores fazendo oposição?
Cid afirma que a oposiçõ foi rancorosa. Por inversão, melhor seria, então, que ela fosse amorosa. Oposição votando contra o governo? Que absurdo, não é? O governador está mal acostumado. Além do mais, é preciso ter mais respeito pelas normas democráticas e pelos adversários. A vitória da oposição foi legítima e legal, respeitando os trâmites e as normas, sem subterfúgios e trapaças.

Saúde, CPMF e o método analítico dedutivo

Durante a votação da CPMF, o presidente Lula enviou uma carta aos senadores, com o compromisso de aplicar na Saúde, 100% do arrecadado com o imposto. Ninguém acreditou, uma vez que o governo é conhecido por descumprir os acordos que ele mesmo propõe antes das votações. Ao mesmo tempo, qual o principal argumento da base aliada? Que a Saúde, cujo orçamento inclui o bolsa-família, será atingida pela rejeição a prorrogação da CPMF.

Obviamente, cruzadas as informações, falta lógica ao argumento, que contradiz a carta presidencial, conforme lembrou o prefeito César Maia (DEM-RJ), em seu ex-blog:

As mentiras do governo ficaram expostas e com assinatura de Lula, ao dizer que 100% da CPFM ia para a saúde. Então a CPMF não era a base do bolsa-família. Elementar meu caro Watson!

Seguindo o método analítico dedutivo imortalizado pelo detetive fictício Sherlock Holmes, de quem Watson era ajudante, fica a pergunta: Se a CPMF é vital para a Saúde, mas é desviada para outros fins, como a Saúde viveu até hoje sem ele? E por que o dinheiro que não vinha antes irá inviabilizá-la agora?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Adeus CPMF

Tem muita gente boa (outros nem tanto) que aponta a não prorrogação da CPMF pelo Senado Federal como uma prova de que os partidos e os políticos são todos oportunistas. Seriam todos inversa e proporcionalmente desonestos, afinal, quem era contra o imposto ontem, hoje é a favor e vice-versa. Essa é uma tese aparentemente "isenta", mas que ao igualar condutas desiguais, apenas serve ao discurso de quem é useiro e vezeiro em trair o próprio passado.

Em cinco anos de governo Lula, pela PRIMEIRA VEZ a oposição mudou de posição em relação a uma matéria. Logo no primeiro mandato do petista, o PSDB e DEM votaram a favor a reforma da Previdência, mantendo a coerência com o passado. Pela PRIMEIRA VEZ o governo Lula amarga um problema criado pela oposição - até agora, todas as confusões em que se meteu foram geradas por correligionários e aliados. E mesmo agora, quando mudaram uma posição, tucanos e democratas apresentaram explicações bem fundamentadas. Além das conjunturas econômicas diferentes (no governo FHC havia uma crise mundial), a comparação entre o nível de arrecadação entre os dois períodos é gritante - o Brasil tem uma carga tributária que beira os 50% do PIB, e isso, só isso, já compensa o fim da CPMF.

Diferente são os governistas que mudaram de posição em TODAS as matérias relacionadas ao Erário e aos gastos públicos. Lula até tomou emprestada a expressão "metamorfose ambulante", para explicar e evidenciar isso. Notem outra metamorfose interessante, muito reveladora: Antes eles diziam que eram melhores do que os outros, agora se contentam em alardear que não piores do que ninguém. O que mudou? Ora, as circunstãcias, mas a essência, essa sempre foi a mesma, nunca mudou.

O fato é que o governo tinha maioria para aprovar a CPMF. Faltaram-lhe quatro votos, mas seis senadores da base aliada votaram contra o imposto. No entanto, já tem jornalista escrevendo sobre o rombo imposto pela oposição, alegando que as motivações foram inveja ou ressentimento. É o pessoal que cobra dela a coerência que falta ao governo - e entenda-se por coerência o hábito da oposição em assumir, por mais de uma oportunidade, o ônus da governabilidade alheia. Também não vai faltar quem diga que agora todos os problemas do Brasil nasceram com a derrota do governo. É o mesmo pessoal que admira a democracia de Hugo Chávez. Para eles, oposição responsável é aquela que vota com o governo sempre. Coisas da América Latina.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A volta do escorpião

Eu bem que procurei outro assunto, mas não deu. Vejam essa notícia publicada no jornal O Estado:
Prefeita quer taxar 13º salário - Servidores municipais poderão ter que pagar contribuição previdenciária sobre décimo terceiro salário, caso a mensagem enviada a Câmara Municipal ontem, pela Prefeitura de Fortaleza, seja aprovada. Estão incluídos os segurados, inativos e pensionistas. O nome da nova contribuição será Prevfor. A Lei que trata do regime é a de nº 9.136, de 26 de dezembro de 2006. A alteração da Lei tem como objetivo a obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). (...) Para o líder da prefeita, vereador Guilherme Sampaio (PT), a aprovação da mensagem é necessária. “Sem o desconto o 13º salário, o município não recebe o CRP e consequentemente não receberemos verbas do Governo Federal para serem aplicadas em políticas sociais, com a construção do Hospital da Mulher”, afirmou. Leia mais.

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Quer dizer que o Hospital da Mulher depende dessa cobrança? Imaginem se fosse o Juraci Magalhães ou Moroni Torgan quem desejasse taxar o 13º de servidores ativos e inativos, alegando, para tanto, uma promessa de campanha? Que diriam Luizianne e aliados? Todos sabem, todos se lembram do argumento - não pode pois é direito adquirido. Portanto, a ação seria uma tremenda traição ao povo etc. Quantos servidores e pensionistas não votaram em Luizianne na esperança de ver preservado esse discurso.

Relembrando
No dia 15 de julho de 2006 publiquei um artigo no jornal O Povo: A natureza do escorpião (clique no título para ler). Na ocasião, ao comentar o programa de incentivos fiscais lançado por Luizianne, afirmei: "Observando os fatos, podemos concluir que certas contradições entre o discurso de oposição e a prática de gestão dos petistas não são meros desvios acidentais, nem traições fortuitas, mas sim um método reproduzido sistematicamente." (...) "Então, quando você ouvir um petista desfazendo daquilo que ele mesmo dizia no passado, para se gabar de fazer o que antes condenava, não se surpreenda, é a natureza traiçoeira do escorpião. "

Em resposta, no mesmo jornal, o secretário de Administração do Município, Alfredo José Pessoa de Oliveira me acusou, no artigo Sobre fábulas e verdades, de ser neoliberal e porta-voz do mercado(!?). Respondi-lhe em meu site: "Por achar que tem o direito natural de ser contra e a favor de algo ao mesmo tempo, o militante de esquerda consegue defender um governo que se vangloria de usar instrumentos consagrados pelo neoliberalismo, e ainda acusar de neoliberais, aqueles que ousam demonstrar a incongruência. Quando cobrado em razão de compromissos esquecidos, o presidente Lula sempre repete: 'Não me peçam para ser irresponsável'. Ninguém nunca pediu. Ele é que dizia que cobrar inativos era inconstitucional, além de uma maldade. Se depois de eleito mudou de opinião, então não reclame da crítica. O mesmo vale para Luizianne."

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Procurador da República acusa Prefeitura de Fortaleza de mentir às custas do contribuinte

Alessander Sales, procurador da República no Ceará, assina um duro artigo no O Povo desta terça. Confiram alguns trechos:

Réveillon 2006/07: a mentira paga
O Município de Fortaleza, através de matérias pagas nos meios de comunicação da cidade tem divulgado que o TCU atestou a regularidade de sua conduta quanto a realização do Réveillon 2006/2007, o que demonstraria o interesse político das denúncias apresentadas. É preciso esclarecer a sociedade, no entanto, que tais afirmações não são verdadeiras. Na verdade, o TCU concluiu : 1) pela regularidade do repasse de verba da CEF para a empresa D&E, mesma conclusão a que chegou o Ministério Público; 2) que caberia ao TCM e não ao TCU aferir a regularidade dos recursos repassados pelo pelo Banco do Brasil; 3) que as verbas repassadas pelo Ministério do Turismo a Oscip Ação Novo Centro , bem como o repasse feito pelo BNB, como não foram ainda aplicadas, nada caberia ao TCU, por hora, analisar.

Assim, a decisão do TCU em nada interfere na atuação do Judiciário, na ação de improbidade já proposta pelo Ministério Público. Até o julgamento final desta ação não se poderá afirmar a regularidade da atuação do Município de Fortaleza, pois ainda cabível a condenação dos réus por improbidade administrativa.
Ao MPF cumpre reafirmar a correção de sua atuação no caso, que resultou em uma ampla, célere e isenta apuração dos fatos e teve, como objetivos, a busca da verdade e a proteção do patrimônio público, não sendo aceitável qualquer afirmação, de quem quer que seja, de atuação guiada por qualquer outro interesse, notadamente de origem política. O MPF já está investigando a realização do próximo Réveillon, para não permitir que os comportamentos anteriormente ocorridos e qualificados na ação como atos de improbidade administrativa possam vir a se repetir com a ocorrência de sérios danos ao patrimônio público.

Portanto, sendo esta a verdade, moralmente condenável a conduta do Município de tentar escondê-la da sociedade através de matérias pagas com o dinheiro público.

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Resumindo a peleja, o procurador esclarece ao público as diferenças existentes entre REPASSE e GASTO de verbas. Realmente, o TCU atestou que o repasse da Caixa Econômica para uma das empresas envolvidas na festa foi regular - conclusão referendada pelo próprio MPF. A questão não é como o dinheiro chegou aos cofres da Prefeitura - é como ele saiu de lá. Esse é o objeto da ação de improbidade.

De resto, o procurador não é filiado a nenhum partido, nem é candidato a cargo eletivo. Nesse caso, tentar desqualificar o MPF acusando-o de agir por conta de interesses políticos não deve surtir efeito, por absoluta falta de verossimilhança. Ou a Prefeitura explica como foi gasto o dinheiro, ou uma sombra de dúvida a perseguirá no ano eleitoral.

Ceia tributária

A CPMF está na pauta política deste final de ano. Afinal, com o aumento da carga tributária, o imposto ainda é necessário? O Estado é perdulário? O governo pode cortar gastos e aliviar os contribuintes? Essa ciranda de impostos não imobiliza as forças produtivas do mercado?

Como podemos ver, muitas são as questões derivadas desse imbróglio. A Folha Online publicou uma pesquisa muito oportuna - combina tributação com festas natalinas - reveladora de uma situação que beira a extorsão pelos valores, e a loucura, pelo número de impostos.

Carga tributária sobre itens da ceia de Natal passa de 50%
A carga tributária incidente no preço total dos produtos natalinos pode ultrapassar 50% em determinados produtos, segundo pesquisa da VerbaNet Legislação Empresarial Informatizada. "A voracidade fiscal do Estado brasileiro impede que mais alimentos façam parte da mesa das famílias, não só no Natal e Ano Novo, mas durante o ano inteiro", afirma o contador Ernesto Dias de Souza, coordenador da pesquisa.

A pesquisa levou em consideração os seguintes tributos: ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), PIS (Programa de Integração Social), Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público); e II (Imposto de Importação). Leia mais aqui
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

PAC privilegia capitais do PT, mas Fortaleza fica de fora

Por Fábio Zanini, da Folha de São Paulo:

Divisão de verbas do PAC privilegia capitais do PT
Das 10 prefeituras com mais recursos per capita, 6 são chefiadas por petistasMunicípios comandados por aliados também estão entre os mais beneficiados; governo federal diz que não há favorecimento político.

A população de capitais administradas pelo PT foi privilegiada na divisão do bolo de investimentos federais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em urbanização e saneamento, um dos grandes trunfos políticos do governo para as próximas duas eleições, no ano que vem e em 2010.Levantamento feito pela Folha no volume per capita de recursos para obras nas 26 capitais estaduais mostra que, entre as dez primeiras, seis têm prefeitos petistas.

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E Fortaleza? Além de ser a 5ª capital do país, é administrada pelo PT. Mas não consta na lista das mais contempladas. Como não é razoável supor que a capital cearense esteja tão bem que chega a dispensar investimentos federais, é lícita a investigação de outras possibilidades. Listo algumas:

1) O Ceará não consta - de forma alguma e por qualquer critério - como uma prioridade para o Governo Federal. Basta-lhe o Bolsa-família;
2) Luizianne não consegue inspirar confiança administrativa nem em seus aliados. Sua imagem de paralisação gerencial termina por postergar ou inviabilizar investimentos;
3) A bancada cearense aliada ao Planalto - incluindo o governador Cid e o senador Inácio Arruda - é boa para pedir votos ao candidato Lula e para defender a cobrança da CPMF. Quando o assunto é verba federal, nada feito;
4) Luizianne foi candidata sem apoio do Planalto. Desafiou José Dirceu e o centralismo democrático da sigla. Não foi expulsa porque venceu o pleito. Mas está por conta própria, abandonada pelo companheiros que esperam o dia da vingança;
5) Todas as alternativas juntas.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Pesquisa Datafolha mostra Moroni na frente em Fortaleza

O Datafolha fez pesquisa eleitoral em nove capitais. O resultado está na Folha de São Paulo deste domingo. Seguem abaixo os cenários de Fortaleza. Moroni lidera com folga e Luizianne, que disputa a reeleição, fica empatada com Lúcio Alcântara. Numa análise preliminar, fica patente o "recall" de ambos, ou seja, a intenção declarada na pesquisa reflete que Luizianne e Moroni são os mais conhecidos pelo eleitorado, em virtude da exposição na última campanha. A imagem da prefeita precisa de reparos urgentes, pois a liderança de Moroni é uma resposta estimulada pela insatisfação dos eleitores em relação a atual gestão. Nesse momento, a pesquisa mostra que Patrícia Saboya e Marcos Cals são lembrados para a próxima eleição, sem contar que ainda não foram lançados como candidatos oficiais de seus partidos.

Cenário um – Com Patrícia Saboya
- Moroni Torgan (DEM) – 29%
- Luizianne Lins (PT) – 19%
- Lúcio Alcantara (PR) – 17%
- Patrícia Saboya (PDT) – 10%
- Antonio Cambraia (PMDB) – 6%
- Marcos Cals (PSDB) – 5%
- Renato Roseno (PSOL) – 3%
- Branco/nulo/nenhum – 7%
- Não sabe – 4%

Cenário dois – Com Heitor Férrer
- Moroni Torgan (DEM) – 30%
- Lúcio Alcantara (PR) – 19%
- Luizianne Lins (PT) – 16%
- Antonio Cambraia (PMDB) – 8%
- Heitor Ferrer (PDT) – 6%
- Marcos Cals (PSDB) – 5%
- Renato Roseno (PSOL) – 3%
- Branco/nulo/nenhum – 8%
- Não sabe – 5%

A metamorfose como método

Clássico da literatura mundial, 1984 é uma distopia desconcertante. Seu autor, George Orwell (1903 - 1950), foi militante comunista e chegou a lutar na Guerra Civil Espanhola. Com a maturidade, desiludiu-se com o ideário marxista soviético e passou a denunciá-lo como um totalitarismo violento. Na trama, Orwell desenvolve o conceito de "duplipensar", que tem tudo a ver com a "metamorfose ambulante" de Lula. Leia e entenda.

O presidente Lula confessou espontaneamente que suas convicções mudam ao sabor das circuntâncias, e que isso não lhe causa vergonha. A revista Veja desta semana entrevista o ministro Guido Mantega, da Fazenda, explica a natureza do seu pensamento: “Aquela história de protecionismo, que eu mesmo defendi, hoje não vale nada”. Luís Marinho, ex-presidente da CUT e agora ministro do Trabalho, defende o que antes considerava crime: a reforma da Previdência. No Ceará, Luizianne criticava os incentivos fiscais concedidos pelo governo Tasso, mas depois de eleita, os adotou. Os exemplos variam de lugar e objeto, mas possuem algo em comum: seus protagonistas, uma vez instalados no poder, mudam de opinião sem nenhum constrangimento, e passam a fazer o que antes condenavam. É claro que iso não é uma infeliz coincidência! É uma regra de comportamento político, um método disseminado entre certos grupos ideológicos.

Indiquei recentemente a leitura do clássico 1984, do inglês George Orwell (foto), para quem desejar entender como se dá essa capacidade de viver em contradição sem nunca reconhecer um erro. Em sua distopia política, Orwell a chamou de "duplipensar": uma técnica totalitári que consiste em enganar a memória. Abaixo transcrevo uma breve passagem do livro, que bem ilustra o que eu digo:

Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultâneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplipensar" era necessário usar o duplipensar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Nem metamoforse ambulante nem maluco beleza. É oportunismo mesmo!

“Eu não tenho vergonha e muito menos tenho razão para não dizer que eu mudo de posição e há muito tempo eu digo que prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante, ou seja, mudando à medida que as coisas mudam.” - Presidente Lula, em discurso proferido na última quarta-feira, citando a famosa música de Raul Seixas para explicar suas contradições sobre a CPMF.

“Eu vinha a Brasília para convencer o PT a votar contra a CPMF. E baixei o centralismo.” - idem, demonstrando como funciona a democracia em seu partido.

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Notem bem: a revelação do presidente não foi algo que "escapuliu", muito menos um ato falho. Foi uma confissão intencional sobre um modo de fazer política. A respeito da CPMF, Lula diz que a depender das circunstâncias é que suas convicções se formam. Mudar de opinião, todos mudam, mas com critérios e, principalmente, com penitência. É preciso dizer o que mudou e o que estava errado no passado. No entanto, a ambição de Lula é estar sempre com a razão, mesmo quando se declara contra ou a favor sobre um mesmo assunto. É uma forma de insinuar que suas escolhas nunca estão erradas. E amanhã, como Lula se posicionará? Bom, se as coisas mudarem - se for outro o presidente, por exemplo - a metamorfose ambulante deverá ser contra a CPMF. Afinal, ele não tem vergonha de mudar. O pior é que esse mesmo ser metamofórmico não entende as razões pelas quais seus adversários mudam de opinião.

Baixar o centralismo
Noutro momento, o presidente afirma que foi a Brasília pressionar os deputados petistas a votarem contra a CPMF. Como argumento principal, ele disse que "baixou" o centralismo. Por coincidência, segunda-feira, ao comentar sobre as eleições internas do PT, celebrada por muitos como exemplo de democracia, publiquei o seguinte post: Centralismo democrático não é sinônimo de democracia, onde explico a função desse conceito leninista. Em resumo, serve para dar uma aparência de democracia a uma estrutura totalitarista, caracterizada por um comando central forte e inflexível. Não por acaso, na época em que Lula "baixou" o centralismo (eufemismo para a expressão "baixou o cacete"), o então deputado federal Eduardo Jorge (PT-SP), quase foi expulso do partido por ter sido favorável à CPMF, tal como o presidente hoje. Devidamente enquadrado pelo centralismo democrático - o deputado serviu de exemplo a outros rebeldes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Como tirar proveito das críticas

Como Tirar Proveito de seus Inimigos, do filósofo grego Plutarco (escrito em 60 D.C.). O governante preso num círculo restrito de amigos, bajuladores e aduladores, deixa de ver os aspectos desagradáveis da realidade e passa a crêr em miragens fabricadas por elogios sinceros ou interesseiros. Os inimigos podem, através das críticas (justas ou não), resgatar o governante desse ambiente de devaneios. Por isso é importante escutar os adversários, para, descontando seus eventuais exageros, o detentor do poder possa ter uma idéia aproximada do mundo real. Leia as chamadas e o comentário abaixo e entende como a máxima de Plutarco poderia ajudar a prefeita Luizianne.

Jornal O Povo: Aliados da prefeita Luizianne Lins (PT) na Câmara de Vereadores e na Assembléia Legislativa reagiram ontem à decisão do presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Ernesto Sabóia, de pedir a suspensão do processo licitatório dos serviços de organização do Réveillon 2008. Vereadores e deputados ligados a Luizianne acusaram Sabóia de agir como "cabo eleitoral" da senadora Patrícia Saboya (PDT), que articula candidatura à prefeitura de Fortaleza, e do senador tucano Tasso Jereissati, adversário político da prefeita. Leia mais.
Ceará Agora: “Estamos sofrendo uma ação eminentemente política do senhor Ernesto Sabóia, que, inclusive, está instrumentalizando o Tribunal para o PSDB” - Leia mais.

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Ernesto Sabóia foi secretário da Administração do ex-governador Tasso Jereissati, que depois, usando das prerrogativas do cargo, o indicou para o TCM. Issso não é segredo, nem ilegal, muito embora as regras para a efetivação de conselheiros nos tribunais de conta sejam questionáveis. São eles os responsáveis por fiscalizar os gastos e as aplicações que os estados e municípios fazem. Mas uma vez indicados pelo Executivo, ou seja, pelos que devem ser fiscalizados, a imagem de independência dos conselheiros fica comprometida. O presidente Lula também indicou os últimos membros do Tribunal de Contas da União e ninguém reclamou.

Os aliados de Luizianne apenas buscam jogar luzes sobre fatos evidentes - a ligação de conselheiros com políticos, para fugir de outros menos esclarecidos - como as suspeições sobre o último réveillon em Fortaleza. A questão prioritária agora, depois das declarações do presidente do TCM, é analisar o mérito das acusações. Para os gestores municipais, melhor seria demonstrar, cabalmente, que nada de errado existe com o atual edital de licitação - e com a passada também. Com elegância, a Prefeitura poderia se dispor a prestar esclarecimentos ao TCM.

Mas como reage Luizianne e aliados quando cobrados? Explicam e comprovam a licitude dos atos ou partem para o confronto? Anunciam um novo réveillon maior e mais caro, enquanto o IJF sofre com greves. Há nessa postura uma certa soberba, uma arrogância tola. O administrador probo vê nas cobranças não uma ofensa, mas uma oportunidade de apresentar sua retidão e competência.

Naturalmente, é difícil acreditar que a Prefeitura não esteja empenhada em fazer o réveillon da forma certa dessa vez, posto a polêmica que a envolve. Acontece que querer não é poder. Parece que o edital não ficou bom mesmo. A falta de ações, ou a inefiência administrativa, vem se consolidando como marca da atual gestão, no entanto, parece que os responsáveis não desejam enxergar esse fato. Às vezes as críticas e os adversários podem servir de guias. Basta saber ouví-los.

Por uma cultura de paz

O Judiciário brasileiro promove está provendo, durante a semana inteira, uma campanha de Conciliação - forma alternativa de resolução de conflitos onde as partes envolvidas num litígio resolvem suas diferenças com o auxílio de um conciliador, firmando um acordo consensual.

Sobre isso, vale a pena ler o artigo do jornalista Wanderley Pereira publicado hoje, no O Povo:

Conciliação para a paz
A idéia do litígio está tão arraigada na cultura da sociedade que uma simples competição esportiva, criada para a integração social, se identifica mais por uma linguagem de conflito. Os termos mais usados para vender esses eventos são choque, refrega, batalha, confronto, guerra. Isso leva as torcidas a tragédias como as que temos visto. Como consequência dessa cultura, já temos hoje os chamados "esportes radicais". É comum ouvir o comentarista esportivo, para valorizar a audiência, realçar que duas forças máximas do esporte, dois grandes adversários, os dois maiores rivais, irão proporcionar uma boa briga, um lindo duelo. Octavio Paz, prêmio Nobel de Literatura de 1990, é que dizia: "Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que gangrena é a linguagem."

A conciliação deve ser uma obra de educação, para que a sociedade aprenda a conjugar o verbo amar, em lugar dos mais comuns como enganar, ameaçar, agredir, matar, assaltar, sequestrar, estuprar e muitos outros que fazem parte da filologia da violência.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Réveillon 2007 em Fortaleza gera suspeitas

Essa é do blog do jornalista Roberto Maciel, no site do Diário do Nordeste:

"Recebi o texto seguinte da Assessoria de Imprensa do Ministério Público Federal. Repasso-o na íntegra aos leitores para que todos possam ter a oportunidade de fazer análises mais fundamentadas:

'O Ministério Público Federal no Ceará fez recomendação sobre o réveillon 2007/2008 da prefeitura de Fortaleza e encaminhou à Gerência Regional do Patrimônio da União no Ceará (GRPU/CE), ao Banco do Nordeste (BNB) e ao Banco do Brasil.Tendo como base os princípios constitucionais, o procurador da República Alessander Sales recomenda a GRPU/CE que não permita a montagem na área do aterro de camarotes destinados a convidados, ou qualquer forma de abrigo especial para determinadas pessoas. Essa iniciativa se deve ao fato da área ser de domínio da União, e caracterizada como bem de uso comum, portanto área pública, não devendo ser permitida qualquer distinção entre as pessoas, no que diz respeito a sua utilização.

Para o procurador Alessander Sales, a adoção destas medidas, constantes das recomendações, têm por objetivo evitar que as ilegalidades cometidas no Réveillon 2006/2007, possam se repetir no evento a ser realizado neste final de ano. (...)

Ao Banco do Brasil e ao Banco do Nordeste, há como recomendação que a ajuda financeira para a realização do evento, no caso o Réveillon 2007/2008, organizado pela prefeitura de Fortaleza deve passar por prévio processo licitatório, não se admitindo a utilização de dispensa ou inexigibilidade deste processo, como indevidamente aconteceu no evento anterior. E somente ocorra a liberação destes recursos após comprovação de sua efetiva aplicação, através de prestação de contas e das respectivas notas fiscais individualizadas, bem como da constatação de que as obras foram efetivamente executadas'."


Blog do Wanfil
Resta lembrar que a simples prestação de contas com as respectivas notas fiscais de obras e serviçoes prestados no réveillon do ano passado, bastaria para esclarecer as dúvidas sobre questões como superfaturamento. Era para ser fácil e rápido...

Partidos políticos e democracia interna

Ainda sobre a questão levantada no post abaixo, é bom lembrar que eleições internas não são garantia de democracia partidária. O Partido Comunista chinês tem eleições regulares, assim como PC de Stálin, na extinta URSSS. Nesses casos, as consultas são uma forma de conferir a aparência democrática ao que é, na essência, um instrumento do totalitarismo: o Partido como instância máxima decisória a respeito de qualquer assunto. A democracia permite modos variados de sufrágio. Os EUA promovem eleições indiretas, e nem por isso seus presidentes podem ser chamados de ditadores, pois o que vale é o conjunto de regras aceitas pela sociedade americana.

No PT, as várias tendências que muitos enxergam como virtude, não passam de vício. Tais correntes possuem um papel tático e servem para multifacetar os espaços de atuação da sigla. É assim que o petismo consegue ser inimigo mortal das privatizações e operar, sem constrangimentos, a privatização do BEC ou das estradas. Isso é democrático? Afinal, o que pensa o Partido dos Trabalhadores sobre taxa de juros? Ou sobre reforma da previdência? É verdade que os outros partidos não fazem eleições internas, mas isso não lhes confere o rótulo de anti-democráticos. Nada disso, respeitadas as regras eleitorais e os dispositivos internos, seus membros somente escolhem por outras vias os seus líderes.

Esse papo de militância ativa custa caro, depende de recursos de grupos organizados - como sindicatos, e vencidas as eleições, termina em empreguismo estatal. A virtude da militância petista é também o vício do aparelhamento das entidades da sociedade civil. A democracia venezuelana foi salva, temporariamente, graças ao movimento estudantil. E aqui? O movimento virou cartório, não passa de correia de transmissão do partido que para muita gente, dá show de democracia.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Centralismo democrático não é sinônimo de democracia

Estranhei o comentário do jornalista Eliomar de Lima, que assinou a coluna Política do jornal O Povo desta segunda. O texto parece ser equânime nas críticas, mas a mensgem subjacente faz do centralismo democrático (ver abaixo) um modelo de democracia partidária. Talvez seja o caso do titular Fábio Campos fazer alguns ajustes. Vejam trecho:

Apesar de tudo, democracia interna - O que dizer do processo eleitoral direto que o PT realizou ontem em todo o Brasil para renovação de cúpulas nos estados, nos municípios e na esfera nacional? Independente de resultado, algo que ninguém pode negar: apesar do desgaste, com o envolvimento de alguns dos seus membros de peso em corrupção, mensalão, sanguessuga e outras marmotas, a legenda pratica democracia interna. Permite o debate entre suas várias tendências, que adoram brigar por pouca coisa ou por vaidade. O PT tem essa qualidade que demais partidos não exercitam e é por isso que ainda sobrevive. Leia mais.

Blog do Wanfil
As "marmotas" assinaladas não constituem simples pecadilhos cometidos por alguns aloprados, como afirmou Lula e reforça Eliomar. Foram pecados mortais contra a democracia - o mensalão foi um golpe contra o Legislativo, e o dossiê fajuto, por exemplo, uma fraude eleitoral. Foram cometidos não por alguns, mas pela cúpula do partido, muitos ligados diretamente ao presidente. Num país sério, esse democratas exemplares estariam na cadeia, sem contar o impeachment... Onde estão os militantes do partido para afastar esses membros? Vejam só, Ricardo Berzoini, um dos implicados no caso do dossiê, deverá ser reeleito para a presidência do PT. Seus adversários são os deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo, ambos de São Paulo, ligados à Marta Suplicy. Uma beleza.

Mas não é isso o mais grave. O problema é a idéia de que o PT representa uma agremiação democrática - portanto afeita às vontades populares, contra partidos elitistas - representantes de grupos de interesses. Essa é uma leitura superficial do sistema partidário numa democracia partidária.

Sugiro ao jornalista a leitura sobre o centralismo democrático dos partidos comunistas leninistas. Sim, podem existir facções dentro da agremiação - em alguns casos, isso é útil. É assim que o partido pode ser aliado do agrobusiness e do MST ao mesmo tempo, a depender da corrente com a qual se fale. No entanto, essas divergências não podem ignorar as deliberações centrais do núcleo central da sigla: ai de quem desobedecer.

No PT, a democracia vai até onde os interesses de Lula e do comando paulista ordenam. Por que Delúbio Soares não foi expulso? Todos o consideram honesto? A democracia de partidos com esse perfil reside apenas nas formalidades, não na essência. Luizianne Lins só não foi enquandrada no centralismo democrático, porque ganhou as eleições municipais. Não fosse isso, ela seria expulsa por José Dirceu e agora estaria fazendo companhia ao ex-deputado João Alfredo lá no PSOL.

IJF: Greve boa e justa só no governo dos outros

Ceará Agora:
Luizianne furiosa: Veneranda atende médicos do IJF - A greve dos médicos do Instituto José Frota(IJF), unidade central, não deve mais ocorrer. Numa reunião amistosa (...), o prefeito interino de Fortaleza, Carlos Veneranda, fechou um acordo com o comando dos médicos.

Crise na prefeitura: Catanho desautoriza Veneranda - Ciente das consequências desastrosas à imagem da prefeita Luizianne Lins, que terá que desfazer o acordo firmado por seu vice, Carlos Veneranda, o secretário Waldemir Catanho concedeu entrevista para atrair para si o desgaste de romper um acordo firmado, pois quando Luizianne recuar, cresce o risco da volta da greve dos médicos no IJF. Só que o esforço de Catanho é inútil. Caberá a própria prefeita Luizianne Lins promulgar um novo decreto anulando o entendimento com os médicos.

Blog do Wanfil
Nelson Rodrigues dizia que "só o cúmplice é fiel", hehe. Não é raro um vice brigar com o titular de um cargo majoritário, causando-lhe, eventualmente, dificuldades. No entanto, como quem tem votos é quem manda, geralmente essas crises acabam com o exílio do vice, ou então, com alguma habilidade política, chega-se a um acordo.


O problema é que Veneranda usa contra Luizianne um expediente caro às esquerdas: a imagem de aliado incondicional de grevistas. Com isso, ele faz da prefeita uma refém de seu próprio passado. Qualquer que fosse o motivo, a categoria, os prejuízos, os absurdos e as condições dos governantes em atender as reivindicações, lá estavam Luizianne e o PT "lutando" contra a "exploração" dos trabalhadores.

Assim, essa briga serve mesmo para expor uma mentira antiga, pois o apoio a grevistas nunca foi uma convicção, digamos, inabalável. Na maioria dos casos havia uma condição bem disfarçada para as adesões: eram somente oportunidades de constranger adversários e obter dividendos políticos-eleitorais.

Não afirmo que Veneranda, Luizianne ou os médicos tenham razão. Fico com a Justiça: o que ela decidir, cumpra-se. Mas qualquer que seja o resultado no presente caso, a prefeita será obrigada a dizer que greve boa, para ela, é greve no governo dos outros. Eis um senso de ética bem peculiar. George Orwell chama essa capacidade de ter posições soimultaneamente antagônicas de "duplipensar". Pesquisem no Google.

Herança bendita

Semana passada a notícia de que o Brasil avançara no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - divulgado pela ONU - ganhou os jornais. O governo, claro, fez a festa. A oposição, para variar, não fez uma análise crítica adequada. Embora tenha caído duas posições em dois anos (agora o país aparece na 70º posição), muitos comemoraram o fato de que agora, pelos critérios da pesquisa, o Brasil conste da lista dos países que têm desenvolvimento considerado alto.

A jornalista Eliane Catanhede, da Folha de São Paulo, cruzou dados e - bingo! - descobriu que a revolução alardeada pelo Planalto é fruto de um processo, ao contrário da fábula "nunca antes nesse país". O pior é que este mesmo processo tem perdido o vigor.

O PIOR IDH DESDE 1990!
A curva do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil mostra claramente que os avanços do país são parte de um longo processo: 0,723 em 1990, 0,753 em 1995, 0,789 em 2000 e, enfim, 0,800 em 2005. Ou seja, o menor avanço em 15 anos foi justamente de 2000 para 2005.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Nacionais - Curtas

3º mandato
Neste domingo, a Folha de São Paulo publicou uma pesquisa que pôs água na fervura de muitos "companheiros". Segundo o instituto Datafolha, 65% dos entrevistados rejeitam um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só 31% apoiariam essa possibilidade. Nem mesmo no Nordeste, onde o petista é mais bem avaliado, essa hipótese conta com o apoio da maioria da população. Detalhe: O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece como favorito para as próximas eleições.

CPMF e sonegação
O presidente Lula afirmou que somente o Democratas e os sonegadores de impostos são contrários à CPMF. A agressividade das declarações e fato de que o próprio Lula sair para o jogo, demonstram que a situação do governo não é confortável. De tudo isso, no entanto, é bom saber que o presidente mira nos sonegadores de impostos. É uma boa hora, inclusive, para saber o que aconteceu com os petistas "aloprados", supreendidos nas últimas eleições presidenciais andando com malas de dinheiro sujo - o escândalo do dossiê, lembram? Afinal, a grana, de origem desconhecida, não pagou impostos, nem a amada CPMF... (Acharge abaixo é do Sponhloz)

Brasil, Espanha e Venezuela - A metáfora do recreio

Um leitor amigo enviou-me por e-mail um artigo bem interessante, de autoria atribuída ao advogado Fernando Lopes. O texto faz uma comparação entre o comportamento de Lula e do rei da Espanha, Juan Carlos, frente as tagarelices do presidente venezuelano Hugo Chàvez. Transcrevo abaixo, em azul, algumas passagens. A íntegra pode ser lida no site Usina de Letras, clique aqui.

O cala a boca do Rei
Todo menino passou por isso ao menos uma vez: Ter de encarar um valentão na escola. Todo mundo já foi para o recreio passando por uma odisséia mental, e a nada metafórica górgona que o aguardava era um moleque mais velho e mais forte, espancador de menores e ladrão de merenda. Todos conhecem o tipo. E todos evitavam cruzar com ele, claro. Quanto maior a distância, menor o problema.

Mas alguns usavam uma tática oposta; viviam puxando o saco do sádico mirim. Eram os baba-ovos de plantão, que compravam a simpatia dele com as adulações. Quando o valentão escolhia um deles pra extravasar sua violência natural, a saída do puxa-saco agredido era fingir que tudo não passava de uma brincadeirinha do amigão. (...)

Semana passada Lula riu de Hugo Chávez quando foi chamado de sheick da Amazônia e de magnata do petróleo, entre outras graves ofensas. Tudo televisionado. (...) Lula fez o papel de amiguinho para apanhar menos. (...) Não só ele, mas, aos olhos do mundo, todo o Brasil foi, de novo, agredido verbalmente pelo venezuelano. O mesmo que chamou nosso Congresso de papagaio dos americanos.

O rei da Espanha não comunga com esses pensamentos. Não agiu como Lula, fingindo que era tudo brincadeirinha do amigão do peito. Não foi fraco, não foi pusilânime. Quando o psicopata falou mal da Espanha e do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, chamando-o de fascista, ouviu o merecido cala-boca; rei Juan Carlos, um homem educado, piloto aposentando da Força Aérea espanhola, fidalgo que bem representa seu país, deu seu recado ao ditador. (...) Estamos mal. (...) É de chorar; justamente quem deveria, até pela força de seu cargo, defender o Brasil de Chávez, preferiu fingir que a pancada não doeu. (
...) Com Evo Morales não foi diferente. O boliviano espoliou e humilhou o Brasil invadindo militarmente a Petrobrás, com transmissão ao vivo pela TV mundial. Lula fez que não era com ele. Como se a pedrada não tivesse atingido suas costas. O rei espanhol provou que tudo tem limite.

Na escola em que o rei Juan Carlos ministra aulas, Lulla ainda está no primário. E Chávez o espera no recreio, para roubar nossa merenda.